TL;DR: 6 pontos
- Não existe contagem oficial de associações de cannabis no Brasil. Nem a ANVISA nem o Ministério da Saúde publicam esse número, e as associações não aparecem no SNGPC. Fizemos o censo pelos dados abertos do CNPJ da Receita Federal (base de outubro de 2026).
- São 380 associações privadas com cannabis no nome; 340 estão ativas (89%). Partimos de 1.436.578 associações privadas do país e descartamos à mão 155 nomes que não tinham relação com o tema.
- Só 160 das 340 ativas (47%) poderiam disputar o sandbox. A RDC 1.014/2026 exige pessoa jurídica constituída há pelo menos 2 anos da publicação, em 03/02/2026. As outras 180 abriram o CNPJ depois de 03/02/2024.
- E a proposta da ANVISA é que esse sandbox tenha um único ciclo. A Consulta Pública nº 1.427, aberta a contribuições até 11/12/2026, diz isso no art. 38 da minuta.
- 248 das 380 associações (65%) abriram de 2023 para cá, com pico de 83 em 2024. E a distribuição é desigual: o Norte inteiro tem 5 ativas; só São Paulo tem 117.
- 31 estão inaptas, todas pelo mesmo motivo: omissão de declarações à Receita. É o problema fiscal mais comum do setor aparecendo no cadastro.
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Por que fizemos esta contagem
Quem cobre o setor conhece o vazio. O SNGPC é o sistema de escrituração das farmácias e drogarias, e as associações não estão nele. A ANVISA não conta pacientes ativos, e a maior parte das associações opera com autorização judicial, fora de qualquer registro sanitário. No Panorama Cannabis 4, mostramos o que o Estado enxerga: a importação e a farmácia. O canal associativo ficou de fora — porque não há dado.
Os números que circulam vêm de levantamentos de mercado. O Anuário 2025 da Kaya Mind fala em 315 associações provedoras, 47 delas com autorização judicial para cultivo; a Federação das Associações de Cannabis Terapêutica (FACT) fala em "mais de 300". Nenhum deles detalha a situação cadastral nem o ano de abertura. Esta contagem tem outro método e mede outra coisa: CNPJ registrado na Receita Federal, que é um dado público, reprodutível e atualizado todo mês.
Os números
| Situação cadastral | Associações |
|---|---|
| Ativa | 340 |
| Inapta (omissão de declarações) | 31 |
| Baixada (encerramento voluntário) | 6 |
| Suspensa | 2 |
| Nula | 1 |
| Total com cannabis no nome | 380 |
Pelo nome, 219 das 340 ativas se apresentam como voltadas a pacientes ou à terapia ("pacientes", "medicinal", "terapêutica", "acesso", "apoio"). As demais são entidades de pesquisa, de profissionais de saúde, de ativismo e cultura, e 6 são associações do setor econômico, como as de indústria e de cânhamo industrial.
A explosão de 2023 para cá

Até 2017, eram poucas por ano. A curva sobe em 2021 (33 aberturas), passa de 60 em 2023 e chega a 83 em 2024. Em 2026, até 13 de outubro, foram 36. A base mostra quando cada associação abriu, mas não diz por quê — a relação com o calendário regulatório é hipótese, não dado.
Onde elas estão

O Sudeste concentra 173 das 340 ativas (51%), e São Paulo sozinho tem 117. O Norte inteiro tem 5. É o mesmo desenho que os dados de importação já sugeriam: no 1º semestre de 2026, 77,9% dos processos de importação de cannabis pela RDC 660 de pacientes da região Norte tinham médico registrado em outro estado — o tema da nossa próxima edição do Panorama.
Quantas poderiam disputar o sandbox
"Somente poderão participar [...] pessoas jurídicas que estejam regularmente constituídas no país há, no mínimo, 2 (dois) anos da data de publicação desta Resolução."
RDC ANVISA nº 1.014/2026, art. 8º, parágrafo único (DOU de 03/02/2026).

O prazo conta da publicação da Resolução, não do edital — e por isso dá para calcular hoje. Das 340 associações ativas, 160 (47%) abriram o CNPJ até 03/02/2024. As outras 180 ficariam de fora.
O peso desse corte aumentou em outubro. A Consulta Pública nº 1.427, de norma geral de sandbox da ANVISA, propõe no art. 38 da minuta que o sandbox da RDC 1.014 tenha "um único ciclo experimental". Se a proposta passar como está, quem não cumpre o requisito não teria uma segunda rodada por esta Resolução — uma nova chance dependeria do marco geral, ainda sem data. As contribuições vão até 11/12/2026, e o edital continua sem data.
Cumprir os 2 anos não basta: a RDC também exige atendimento exclusivo a associados e veda atividade comercial (art. 10), entre outras condições. O número acima é o teto de quem passa pelo primeiro filtro, não a lista de quem será selecionado. Os outros requisitos estão em o que a RDC 1.014 muda, e o papel do farmacêutico no cultivo, na Resolução CFF 7/2026. O que pesa no financeiro está no nosso guia de preparação para o sandbox e no texto sobre o que o mercado entendeu errado da RDC 1.014.
As 31 inaptas: o sinal fiscal
As 31 associações inaptas têm o mesmo motivo registrado na Receita: omissão de declarações. CNPJ inapto passa a ter restrições para operar — emitir nota, movimentar conta, firmar convênio. Para quem pretende disputar o sandbox ou receber recurso público, regularizar vem antes de tudo.
É também o retrato de um erro comum: achar que "sem fins lucrativos" dispensa obrigações. Associação imune ou isenta continua entregando ECF e DCTFWeb, e a LC 214 exige documento fiscal eletrônico inclusive em operações imunes e isentas (art. 60, § 2º, I) — com início que depende da operação: 01/10/2026 para serviços da lista da LC 116 e 01/12/2026 para quem fornece bens sem ser contribuinte do ICMS, o caso típico da associação sem inscrição estadual (Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026, art. 1º, III, "d", e § 4º). E a reforma tributária não isenta a associação por ser associação: a mensalidade só fica fora do IBS e da CBS quando não há contraprestação, como explicamos em a mensalidade da sua associação não paga IBS/CBS — desde que o paciente não receba nada em troca.
Método e limites
Fonte: dados abertos do CNPJ da Receita Federal, base de outubro de 2026 (publicada em 13/10/2026). Universo: 1.436.578 pessoas jurídicas de natureza jurídica 399-9, Associação Privada.
Filtro: razão social ou nome fantasia com termos ligados a cannabis (cannabis e variações, canábica, canabidiol, cânhamo, maconha, diamba, marijuana, CBD, THC, hemp, sativa). Resultado bruto revisado à mão: 155 descartados (Canaã, sobrenomes como Cannavan, clubes chamados "CBD" ou "THC") e 2 casos incertos fora do total.
Faixa extra, fora do total: 13 associações sem cannabis no nome mas com padrão de CNAE típico do setor (P&D com fitoterápico ou cultivo) e nome ligado a plantas medicinais — prováveis, não confirmadas. Com elas, o total iria a 393.
Limites: (1) é um piso — associação sem cannabis no nome fica de fora; (2) CNPJ ativo não prova associação em funcionamento; (3) a data de início no CNPJ é uma aproximação da data de constituição exigida pela RDC; (4) o agrupamento por perfil é feito pelo nome, não pelo estatuto, que fica em cartório e não está na base pública.
O ciclo pode ser único. A Algoritimado organiza o financeiro e o fiscal da associação para o edital: regularidade cadastral, obrigações acessórias e a estrutura de custos que a RDC 1.014 vai pedir.
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Perguntas frequentes
Quantas associações de cannabis existem no Brasil?
Não há contagem oficial. Pelos dados abertos do CNPJ da Receita Federal (base de outubro de 2026), há 380 associações privadas com cannabis no nome, das quais 340 com CNPJ ativo. É um piso: associações sem cannabis no nome não entram. Levantamentos de mercado falam em 315 associações provedoras (Kaya Mind, Anuário 2025), com outro método.
Quais associações podem participar do sandbox da RDC 1.014?
Entre outros requisitos, só pessoas jurídicas constituídas há pelo menos 2 anos da publicação da RDC 1.014/2026, que foi em 03/02/2026 (art. 8º, parágrafo único). Pela data de início no CNPJ, 160 das 340 associações de cannabis ativas cumprem esse requisito. A RDC também exige atendimento exclusivo a associados e veda atividade comercial.
O sandbox da RDC 1.014 terá mais de uma rodada?
A proposta da ANVISA é que não. A Consulta Pública nº 1.427, publicada no DOU de 06/10/2026, propõe no art. 38 da minuta que o sandbox da RDC 1.014 tenha um único ciclo experimental. Novas rodadas dependeriam do marco geral de sandbox. É uma proposta, aberta a contribuições até 11/12/2026.
Associação de cannabis é obrigada a informar o SNGPC?
A RDC 22/2014 obriga farmácias e drogarias a usar o SNGPC e não menciona associações. Por isso não há dado oficial de pacientes nem de produtos das associações. A RDC 1.014 prevê rastreabilidade e registros de produção para quem entrar no sandbox, mas o sistema concreto ficará para o edital.
Por que tantas associações estão inaptas na Receita?
Das 380 associações de cannabis no censo, 31 estão inaptas, e o motivo registrado em todas é omissão de declarações. Associação sem fins lucrativos continua obrigada a entregar declarações como ECF e DCTFWeb, mesmo quando é imune ou isenta.
Receita Federal, dados abertos do CNPJ, base de outubro de 2026 (arquivos Empresas, Estabelecimentos, Naturezas, Motivos, Municípios e CNAE), processados em 14/10/2026. RDC ANVISA nº 1.014/2026 (DOU de 03/02/2026), arts. 8º e 10. Consulta Pública ANVISA nº 1.427 (DOU de 06/10/2026), minuta, art. 38. RDC ANVISA nº 22/2014, art. 3º. Números de mercado citados: Kaya Mind, Anuário 2025, conforme reproduzido pela imprensa; FACT, conforme Poder360 (28/08/2026).
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