Reforma Tributária 2027: O que Sua Empresa Precisa Fazer Agora

A maior mudança tributária das últimas décadas já começou. Desde 1º de janeiro de 2026, empresas brasileiras emitem notas fiscais com destaque obrigatório de CBS e IBS — dois novos tributos que substituirão PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI até 2033.

Se sua empresa ainda não se preparou, o alerta é claro: em janeiro de 2027, PIS e Cofins serão extintos e a CBS entra com alíquota cheia de 8,8%. Quem não adaptar sistemas, precificação e processos até lá enfrentará caos operacional, multas e perda de competitividade.

Este guia apresenta o cronograma completo, os impactos por setor, as ações práticas que sua empresa precisa executar agora e como um CFO as a Service pode conduzir toda essa transição sem você precisar contratar um diretor financeiro CLT.


O que é a Reforma Tributária e por que ela muda tudo

A Emenda Constitucional nº 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, criou o IVA Dual brasileiro — um sistema que substitui cinco tributos por dois:

Tributos extintos Novo tributo Competência Quando
PIS + Cofins + IPI CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) Federal 2027
ICMS + ISS IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) Estadual + Municipal 2029–2033
IS (Imposto Seletivo) Federal 2027

A alíquota combinada de IBS + CBS (o IVA brasileiro) está estimada entre 26,5% e 28%, colocando o Brasil entre as maiores cargas tributárias sobre consumo do mundo — a média da OCDE é 19%. Mas o impacto real varia enormemente por setor, regime tributário e estrutura de custos.

Dois princípios mudam completamente a lógica tributária brasileira: a não cumulatividade plena (crédito sobre praticamente toda aquisição vinculada à atividade) e a tributação no destino (o imposto acompanha o consumo, não a origem). Quem entender essa lógica primeiro terá vantagem competitiva.


Cronograma completo: 2026 a 2033

A transição foi desenhada em etapas para evitar choques econômicos. Mas "gradual" não significa "sem pressa" — cada fase exige preparação antecipada.

Ano O que acontece O que sua empresa precisa fazer
2026 Fase de testes: CBS 0,9% + IBS 0,1% = 1% simbólico. Destaque obrigatório em NF-e. Penalidades dispensadas até abril. PIS/Cofins/ICMS/ISS continuam vigentes. Atualizar ERP/sistema fiscal. Treinar equipe. Simular impacto. Revisar cadastros de NCM/NBS. Consultar contador sobre Simples Híbrido.
2027 PIS e Cofins extintos. CBS com alíquota cheia (~8,8%). IPI reduzido a zero (exceto ZFM). Imposto Seletivo entra em vigor. Split payment obrigatório. Reprecificar produtos/serviços. Renegociar contratos. Reavaliar regime tributário. Mapear créditos recuperáveis. Adaptar fluxo de caixa ao split payment.
2028 Consolidação do novo sistema. Ajustes e correções baseados no primeiro ano de operação real. Auditar créditos. Ajustar precificação com dados reais. Monitorar fornecedores (crédito depende da NF deles).
2029–2032 Transição ICMS/ISS → IBS progressiva: IBS começa com 10% da carga e aumenta anualmente até 100%. Gerenciar dois regimes simultaneamente. Recalcular preços a cada ano. Monitorar incentivos fiscais que serão extintos.
2033 Sistema definitivo: apenas CBS + IBS + IS. PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI totalmente extintos. Operação 100% no novo sistema. Foco em otimização de créditos e eficiência tributária.

Split payment: o fim do capital de giro tributário

Talvez a mudança mais impactante no dia a dia das empresas nem seja a alíquota — é o split payment. A partir de 2027, o imposto será separado automaticamente no momento do pagamento (PIX, cartão, boleto) e enviado direto ao governo. Sua empresa recebe apenas o valor líquido.

Na prática: em uma venda de R$100.000 com IVA de 28%, sua empresa recebe R$72.000 na conta. Os R$28.000 vão direto para o Fisco. Acabou a janela de 20–30 dias que muitas empresas usavam como capital de giro.

Existem três modalidades previstas: o split "inteligente" (retenção total com ajuste posterior), o "superinteligente" (abate créditos em tempo real consultando a base do Fisco) e o padrão (retenção por alíquota média). Independentemente da modalidade, o impacto no fluxo de caixa é imediato — especialmente para empresas de serviços e comércio com margens apertadas.

O que fazer agora: simule seu fluxo de caixa sem o "float tributário". Se sua empresa depende desses 20–30 dias para pagar fornecedores, é hora de renegociar prazos ou buscar capital de giro alternativo.


Quem ganha e quem perde: impacto por setor

A reforma foi desenhada para ser neutra em arrecadação global — mas é redistributiva entre setores. Para aliviar a carga da indústria e exportações, outros segmentos absorvem impacto maior.

Serviços: o setor mais impactado

Empresas de serviços no Lucro Presumido pagarão o preço mais alto da transição. Hoje, muitas recolhem ISS entre 2% e 5% mais PIS/Cofins cumulativo de 3,65% — totalizando cerca de 6% a 8,65%. Com a reforma, a alíquota cheia do IVA pode chegar a 28%, reduzida em 30% para serviços intensivos em mão de obra (resultando em ~19,6% efetivo). A diferença é brutal.

Um escritório de contabilidade que hoje paga ~8,65% sobre faturamento pode ver sua carga tributária sobre consumo saltar para 19,6% — sem muitos insumos para gerar crédito. A solução passa por revisão do regime tributário, reestruturação de custos e reprecificação estratégica.

Indústria: potencial beneficiário

A indústria pode se beneficiar da não cumulatividade plena. Toda aquisição de insumo gera crédito, eliminando o efeito cascata que hoje encarece a produção. Exportações terão desoneração mais clara e previsível. Porém, empresas que dependem de incentivos fiscais estaduais (guerra fiscal) perderão esses benefícios gradualmente até 2032.

Comércio: impacto variável

O impacto depende da estrutura de compras e vendas. Varejistas com cadeia de fornecimento bem documentada se beneficiam dos créditos amplos. Mas o split payment comprime o capital de giro — e no varejo, onde margens já são apertadas, isso é crítico.

Mercados regulados (cannabis, fintech, saúde)

Setores regulados enfrentam camadas adicionais de complexidade. Empresas de cannabis no Brasil, por exemplo, já lidam com dificuldades bancárias e incerteza regulatória — a reforma tributária adiciona mais uma variável. O Imposto Seletivo pode incidir sobre determinados produtos do setor. Um CFO especializado em mercados regulados é praticamente obrigatório nesse cenário.


Simples Nacional: o que muda e quando decidir

Empresas do Simples Nacional não terão alterações em 2026 — a fase de testes não as atinge. Mas a decisão estratégica começa agora: até setembro de 2026, empresas do Simples precisam optar se, em 2027, continuam no regime favorecido ou migram para o novo sistema.

A reforma criou o Simples Híbrido: a empresa continua no Simples, mas destaca IBS e CBS na nota fiscal. Esses tributos podem ser usados como crédito integral pelo comprador — eliminando a desvantagem competitiva que hoje existe quando grandes empresas compram de fornecedores do Simples.

A escolha entre Simples tradicional e Simples Híbrido depende do perfil dos seus clientes: se você vende majoritariamente para empresas no Lucro Real, o Híbrido pode tornar sua empresa mais competitiva. Se vende para consumidor final, o Simples tradicional pode continuar sendo mais vantajoso.


Checklist: 12 ações para preparar sua empresa

Dividimos as ações em três horizontes temporais. O mais importante: não espere 2027.

Agora (2026 — fase de testes)

1. Atualize seus sistemas. ERP, software fiscal e emissores de NF-e precisam suportar os novos campos de CBS e IBS. Consulte seu fornecedor de tecnologia sobre compatibilidade com as notas técnicas publicadas.

2. Saneie cadastros. NCM, NBS, CNAE — tudo precisa estar correto. No novo sistema, a classificação fiscal correta é ainda mais crítica porque determina alíquota, crédito e regime especial.

3. Treine a equipe fiscal. A equipe de faturamento e fiscal precisa entender a nova lógica. O erro em 2026 é dispensado de penalidade. O erro em 2027 pode gerar multa de até 75% sobre o valor devido.

4. Simule o impacto. Use a fase de testes para calcular quanto sua empresa pagaria com a alíquota cheia. Compare com a carga atual e identifique gaps de margem.

Até dezembro de 2026 (preparação para CBS cheia)

5. Revise a precificação. Se você precifica com base em "custo + margem + imposto", toda a fórmula muda. A CBS é calculada "por fora" (sobre o valor líquido), diferente do PIS/Cofins atual. Leia nosso guia sobre precificação na reforma tributária.

6. Reavalie o regime tributário. Lucro Presumido pode deixar de ser vantajoso para muitas empresas de serviços. Lucro Real, embora mais complexo, oferece crédito amplo. Simples Híbrido pode ser a melhor opção para PMEs que vendem B2B.

7. Renegocie contratos. Contratos de longo prazo precisam de cláusula de recomposição tributária. Sem isso, a empresa absorve o aumento de carga sem repasse.

8. Prepare o fluxo de caixa para o split payment. Projete seu capital de giro sem o "float tributário". Considere linhas de crédito ou renegociação de prazos com fornecedores.

Estratégico (2027 em diante)

9. Mapeie toda a cadeia de créditos. No novo sistema, seu direito ao crédito depende da documentação fiscal correta do fornecedor. Se ele não emitir NF ou emitir com erro, você perde o crédito.

10. Monitore fornecedores do Simples Nacional. Empresas que dependem de fornecedores do Simples podem ter crédito menor. Avalie se o impacto justifica mudar de fornecedor ou incentivar a migração para o Simples Híbrido.

11. Acompanhe regulamentações setoriais. Regimes específicos para saúde, educação, transporte, agro e outros setores ainda estão sendo detalhados. As alíquotas podem variar.

12. Contrate expertise financeira. A complexidade da transição — gerenciar dois sistemas simultaneamente por anos — excede a capacidade da maioria das equipes internas de PMEs. Um CFO as a Service é uma alternativa eficiente: você acessa expertise de nível C-suite sem o custo de um diretor financeiro CLT (veja o comparativo de custos).


Onde estão as oportunidades

A reforma não é só ameaça — empresas que se moverem primeiro encontram vantagens reais.

Crédito amplo. A não cumulatividade plena permite crédito sobre praticamente tudo: insumos, energia, aluguel, internet, serviços tomados, bens de uso e consumo. Empresas que hoje perdem crédito no regime cumulativo podem ver redução efetiva de carga.

Fim da guerra fiscal. A tributação no destino elimina distorções geográficas. Empresas que se localizavam em estados com benefícios fiscais perdem a vantagem — mas empresas que competiam em desvantagem agora jogam em campo nivelado.

Transparência como diferencial. Com CBS e IBS destacados na NF, o consumidor (B2B ou B2C) vê a carga tributária real. Empresas que souberem comunicar eficiência tributária ganham credibilidade.

Exportações desobstruídas. O novo sistema promete desoneração efetiva e previsível para exportações, eliminando o resíduo tributário que hoje encarece produtos brasileiros no mercado internacional.


Por que um CFO as a Service é a melhor resposta para PMEs

A reforma tributária cria uma demanda inédita por expertise financeira. PMEs precisam de alguém que entenda a nova legislação, simule cenários, reprecifique produtos, renegocie contratos e reestruture o financeiro — tudo isso enquanto a empresa continua operando.

Contratar um CFO CLT para isso custa entre R$25.000 e R$96.000 por mês em salário, mais encargos. Um CFO as a Service entrega a mesma expertise por R$8.000 a R$30.000 mensais, sem vínculo empregatício e com flexibilidade para escalar conforme a demanda. Para PMEs que faturam entre R$2M e R$100M, é a solução mais eficiente.

Use nossa Calculadora de Custo CFO para comparar os cenários e ver a economia real.


Perguntas frequentes

Quando a reforma tributária começa a valer de verdade?

A fase de testes já está em vigor desde 1º de janeiro de 2026, com CBS a 0,9% e IBS a 0,1% destacados nas notas fiscais. A cobrança efetiva começa em 2027, quando PIS e Cofins serão extintos e a CBS entra com alíquota cheia de 8,8%. A transição completa se encerra em 2033.

Qual será a alíquota total do novo IVA brasileiro?

A estimativa do governo é que a alíquota combinada de CBS + IBS fique entre 26,5% e 28%. A CBS sozinha tem alíquota de referência de 8,8%. A alíquota final do IBS será definida pelo Senado. Setores essenciais como saúde e educação terão alíquotas reduzidas, e a cesta básica terá alíquota zero.

O Simples Nacional muda com a reforma tributária?

Em 2026, não há mudança para o Simples Nacional. A partir de 2027, empresas do Simples poderão optar pelo Simples Híbrido, destacando CBS e IBS na nota fiscal para que compradores possam aproveitar créditos integrais. A decisão deve ser feita até setembro de 2026.

O que é split payment e como afeta minha empresa?

Split payment é a separação automática do imposto no momento do pagamento. Quando seu cliente paga, o banco divide o valor: a parte líquida vai para sua conta e o imposto vai direto para o Fisco. Isso elimina a janela de 20–30 dias que empresas usavam como capital de giro, impactando diretamente o fluxo de caixa.

Minha empresa de serviços vai pagar mais imposto?

Na maioria dos casos, sim. Empresas de serviços no Lucro Presumido que hoje pagam entre 6% e 8,65% (ISS + PIS/Cofins cumulativo) podem ver a carga subir para cerca de 19,6% (alíquota reduzida para serviços). A não cumulatividade plena permite crédito sobre insumos, mas serviços tipicamente têm poucos insumos creditáveis além de mão de obra — que não gera crédito.

Preciso mudar meu ERP ou sistema fiscal?

Sim, obrigatoriamente. Desde janeiro de 2026, notas fiscais eletrônicas devem conter campos específicos para CBS e IBS. Consulte seu fornecedor de ERP sobre atualizações e compatibilidade com as notas técnicas do Comitê Gestor e da Receita Federal. Sistemas que não forem atualizados impedirão a emissão de NF-e válida.


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Última atualização: Fevereiro 2026. Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento tributário ou financeiro. Consulte um profissional para decisões específicas. Fontes: EC 132/2023, LC 214/2025, Receita Federal, Comitê Gestor IBS, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Tax Group, Contabilizei, Jusbrasil, Fenacon.

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